Projeto Escrevivendo

Caríssimo,

Não  consigo encontrar outra maneira de dizer o que tenho a lhe dizer a não desse modo pontiagudo e fatal: não há planos, esperanças, ou possibilidades de ficarmos juntos. Acabou. O que quer que tenhamos vivido juntos. A vida passou, as chances se foram, comemos barriga no jogo da vida. De agora em diante, cada um segue seu caminho, vamos lembrar o que foi bom.

 

Houve um tempo há muitos anos, e você se lembra bem, em que eu queria que você ficasse comigo. Não precisava ser muito mais do que vinha sendo, queria apenas que você dissesse que me amava e que compartilhasse um pouco do meu amor dentro de nossa confortável rotina. Foi o tempo em que mais amei você. Tola, imatura, porém sincera como uma criança eu o amava, queria o seu bem. Você fazia de tudo para não deixar escapar nem uma lasquinha de felicidade quando estávamos juntos, nem uma frestinha de gostar de mim porque também era tolo, imaturo e sincero. Você dizia que eu era quase perfeita, mas a perfeição em forma de mulher assombrava suas esperanças.

 

Tentei algumas vezes tirar você da minha vida. Quando a ferida estava cicatrizando, lá vinha você dizer alô e começar tudo de novo. De raiva, fui embora, me despedacei de saudades de algo que na verdade eu nem tinha. Encontrei velhos e novos amores, me arrisquei, mas seu fantasma perambulava ao meu redor.

 

Fingimos ser amigos, tentamos reatar, vivemos alguns dias de faz-de-conta-que-a-gente-é-feliz.  Agora você diz que sente minha falta, que queria estar comigo. Infelizmente estamos velhos demais para sonhar, nossas manias não tem mais graça, são incompatíveis, e nossa paciência com o outro se foi. Não é justo depois de tanto tempo ficarmos juntos só para não nos afogarmos na solidão. Tenho pensado que hoje em dia a solidão é o meu santuário, já gosto dela. Pior, ela me faz bem. É onde fico para me restabelecer do cansaço de tentar entender esse mundo egoísta, descarrilado, que se atropela em progressos (regressos). Cuidei de tudo e de todos, cuidei de você, preciso cuidar de mim. Agora, não tenho mais ânimo para recomeçar.

 

Meu amor ainda existe, as lembranças boas me aquecem, eu só quero ter certeza de que você está bem, em paz. Sem ressentimentos,  o que vamos fazer é cada um cuidar de si e tentar ser o melhor que pudermos ser daqui para frente.

 

Eu te amo.

Adeus.

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Comentário de Samia Schiller em 15 maio 2011 às 9:28

A Sandra é a Sandra, né?

Senhoras e Senhores, silêncio no recinto porque aí vem mais um texto com o padrão Sandra de qualidade.

Muito boa carta.

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