Projeto Escrevivendo

Demais encontros (6) do Projeto Escrevivendo “ Como falar de livros que não lemos” na Casa das Rosas ( set/out-2010)

O Filósofo Lendo - Chardin

Segundo encontro (14/08)

Depois de termos refletido sobre o ato da leitura a partir do texto Por que Ler ? - de Frederico Barbosa - em nosso primeiro encontro, no segundo retomamos a discussão sobre o cânone literário e propusemos um jogo para começarmos a pensar sobre o que seria uma leitura e uma não-leitura, segundo Pierre Bayard.

O jogo proposto foi o de escreverem o nome de um autor bastante conhecido na literatura ocidental. Depois, que escrevessem o nome de uma obra deste autor; daí, o enredo desta obra e o nome de seus personagens. A sugestão foi, caso não se lembrassem ou não tivessem lido tal obra, inventassem, assim como seus personagens.

Esta escrita criativa trabalharia com memória e intuição do autor do texto; ao mesmo tempo em que, caso a obra abordada não tivesse sido lida (também) pelos demais ‘escrevivente’s, estes jamais perceberiam se o que havia sido escrito era real ou inventado. Além de leitura e não- leitura, falamos do sentimento de vergonha mais ou menos inconsciente que geralmente nos acompanha sobre a imagem que temos de Cultura: “ Um teatro encarregado de dissimular as ignorâncias individuais e a fragmentação do saber”, segundo Bayard.

Terceiro encontro (21/08)

Cada participante preparou, em casa, uma lista de livros existentes em sua estante mais ‘querida’ para ser lida durante a oficina. Por meio desta atividade, começamos a perceber que tipo de leitor seriam e que literatura apreciavam. Então, uma segunda proposta: dentre todos os livros queridos desta estante preferida, escolher uma obra para escrever comentário crítico (a partir do que intuíssem ser um comentário crítico).

Depois desta parte prática, comentamos as diferentes classificações de bibliotecas mencionadas no livro de Bayard: a coletiva, a interior e a virtual.

Quarto encontro (28/08)

Após a leitura dos textos críticos produzidos em casa, observamos oralmente a clareza e a coerência destas produções. Quando reescritos, estes textos seriam novamente comentados.

Na parte teórica do encontro, retomamos a idéia de biblioteca coletiva: é seu domínio que está em jogo nos discursos a propósito de livros, e dominar o seu conjunto seria perceber as relações que os livros mantêm entre si, segundo Bayard.

Encerramos o sábado apresentando as diferenças entre livro real, encobridor, interior e fantasma, ainda segundo o autor francês.

Quinto encontro (11/09)

Discussão sobre clareza, coesão, coerência e paragrafação de textos.

Recolhemos o texto crítico sobre livro preferido e propusemos uma outra atividade de produção de escrita. Partindo da idéia de que todas as opiniões são possíveis e argumentáveis, pedimos para que escrevessem uma contracrítica sobre o livro elogiado anteriormente.

Se, por um lado, foi difícil e doloroso articular um discurso para ‘atacar’ um livro querido, sagrado (afinal, falamos de nós mesmos por meio dos livros) , por outro, pela proposta lúdica, encararam o desafio e puderam repensar suas obras favoritas com um novo olhar.

A leitura da contracrítica foi seguida pela troca dos textos em duplas, comentários e sugestões para posterior reescrita.

Sexto encontro (18/09)

Este encontro foi dedicado a comentários sobre as produções textuais e seus problemas recorrentes.Observa-se que, durante todo este tempo, foi-se formando um clima de confiança entre os participantes da oficina. Assim, criou-se a oportunidade de mostrar que quando nos habituamos a ler, comentar e fazer sugestões para outros autores, voltamos ao nosso próprio texto com olhar bem mais crítico.

Sétimo e último encontro (25/09)

Devolução das produções comentadas pelas mediadoras Gabriela Rodella e Karen Kipnis.

Como último exercício, - a propósito da mobilidade dos textos, do autor e do leitor, no tempo e no espaço -, apresentamos quatro contos, sem identificação de seus autores - para refletirmos sobre o conceito Literariedade (antes e depois de conhecerem os autores dos contos).

Como última leitura coletiva- Paixão e Melancolia da Leitura -, ensaio crítico do Professor João Alexandre Barbosa ( in Leituras Desarquivadas, 2007). Neste texto, o autor convida para leitura de outro livro de ensaios, o de George Steiner: Nenhuma Paixão Desperdiçada (2001).

Aproveito e posto novamente a imagem do quadro de Chardin, O Filósofo Lendo, utilizada na sobrecapa do livro de Steiner, ilustrando o assunto do primeiro texto da coletânea: O Leitor Incomum ( o autor sonha com "escolas de leitura criativa", imaginadas a partir das usuais "escolas de escrita criativa").

E aqui encerro esta oficina - homenagem à memória do querido mestre pernambucano João Alexandre Barbosa. Além de transmitir-me quase que por ‘osmose’ seu amor aos livros (e isto vinha envolto na fumaça perfumada de seu cachimbo), e de ter me inserido numa certa biblioteca coletiva em suas aulas de Teoria Literária na USP, em 1985, orientou-me com generosidade, elemento indispensável para troca de saberes, para apropriação cultural e para construção de conhecimentos.

Karen Kipnis

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Tags: bayard, escrevivendo, escrita, leitura, livros, oficina

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