Projeto Escrevivendo

Nossas Letras - Cartas de Apresentação/ produções textuais dos participantes

Produções Zero, como denominou Laion Castro, ou Cartas de Apresentação dos participantes do módulo Cartas, a título de diagnóstico dos processos pessoais de escrita.

Boa leitura!!

1.%20Amandha%20Cardoso%20%5BCarta%20de%20Apresenta%C3%A7%C3%A3o%5D.pdf

2.%20Claudilene%20Reis%20%5BCarta%20de%20apresenta%C3%A7%C3%A3o%5D....

3.%20Cristina%20Valori%20%5BCarta%20para%20o%20curso%20de%20s%C3%A1...

http://publicanto.com.br/central/dicas/arquivos/arquivo_1_2013_02_1...

***

Olá Professor, tudo bem?

 

Infelizmente não pude comparecer a primeira aula. Uma pena.

Tenho a sorte de ter várias pessoas do curso como amigas e elas, gentilmente, me passaram o dever de casa.

Engraçado como falar da gente em primeira pessoa é complicado. Mas vamos lá.

Meu nome é Décio de Almeida, tenho 47 anos e trabalho com Artes Gráficas. Sou formado em publicidade e me especializei em Pré-Impressão, que a grosso modo, é o setor que fica entre o criação e a impressão. É um trabalho técnico - que envolve softwares como Photoshop, Illustrator, CorelDraw, entre outros - mas que gosto muito.

Além da formação em publicidade tenho uma pós-graduação em História da Arte. Foi um curso muito importante não só pelo aprendizado de artes em si, mas pelo fato do trabalho final desse curso quebrar o trauma que eu tinha com a escrita.

Sempre gostei muito de ler e acreditava que jamais conseguiria escrever. Quando, nas primeiras semanas da pós, descobri que teria que fazer um trabalho com um mínimo de 50 páginas, admito que a palavra pânico surgia toda vez que alguém comentava ou eu me lembrava da monografia. Mas depois de tudo e com algum sofrimento consegui fazer o trabalho no prazo e até ultrapassei o número mínimo de páginas exigidas.

Com isso, percebi que escrever não era algo de outro mundo – apesar de alguns textos e livros serem – e que eu poderia, sim, escrever. A partir daí comecei a procurar livros e cursos que me ajudassem nessa empreitada. Entre várias buscas me deparei com os cursos do Sesc – mais especificamente o de Memórias e Histórias – que acabaram por me trazer até aqui.

Meu objetivo atual é aprender e escrever o máximo possível. E ler muito, claro. Mas agora com outros olhos – de um futuro escritor – para poder captar não só a mensagem, mas também o estilo, a maneira como as palavras são trabalhadas, as técnicas, enfim, viver literatura.

Percebi que os cursos sempre acabam nos surpreendendo de alguma maneira e que raramente esses aprendizados se limitam ao que esta no folheto de propaganda. As discussões, os textos, a interação entre as pessoas trazem muita informação que transcende a pauta que o professor preparou.

Essa é a minha expectativa sobre o curso: interagir e aprender não só sobre cartas, mas sobre ler e escrever.

 

Abraços

 

Décio de Almeida

 

***

 19 de agosto de 2016 19:02


Oi, Laion. Tudo bem?
Aqui vou indo. Sou bibliotecária aposentada desde 2009, porém só parei de trabalhar agora em abril.
Parei porque nestes três últimos anos participei da organização da biblioteca em uma Faculdade.
Iniciando com a compra do acervo, até o cadastro de todo acervo. Foram três anos de muito estresse
porque passei por 4 comissões do MEC. Estas comissões servem para credenciar a faculdade e autorizar os
cursos.
Como a proposta era ter 3 cursos: Pedagogia, Letras e Processo Escolar tivemos a visita de 3 comissões
uma para cada curso e 1 para o credenciamento. Agora com esta pausa, ficando em casa, pretendo dedicarme
mais a escrever contos. Há alguns anos atrás depois de fazer cursos de escrita, descobri que gostava de
escrever. Tenho alguns contos escritos e pretendo escrever mais para poder concorrer algum concurso sobre
contos. Quem sabe até ganhar o Prêmio Jaboti, esse é um sonho.
Lion, isto é um pouco sobre mim.
Abraços
Evelyn

***

São Paulo, 18 de agosto de 2016

Olá professor,

Eu estava aqui pensando, perdida em meus devaneios, como poderia me descrever, se nem eu mesma sei quem sou.  Acredito que tudo começou quando eu nasci, na verdade acho que todas as vidas as vidas começam assim, não é?


Bom, então não vamos perder o foco e vamos falar do que é realmente importante, como vim parar aqui. (Afinal, é este o intuito) Acho que eu sou muito nova para textões e declarações de vida, mas sei que me forcei a amadurecer rápido demais e isso fez com que eu conquistasse mais experiências do que algumas pessoas da minha idade.


Saí da casa dos meus pais com dezoito anos, exatamente no ano de 2012, para intuito superficial de estudar arquitetura, porém meu intuito principal e pessoal era de liberdade. Meus pais moram em uma cidade do interior de Minas, não muito distante de São Paulo. Mas eu sempre quis mais do que aquela cidade poderia me proporcionar, eu queria conquistar o mundo, queria morar em São Paulo e sentir como era a vida corrida da cidade grande. Porém não é exatamente isso que acabou acontecendo, por motivos pessoais tive que mudar para Jundiaí. E assim minha vida começou a mudar.


Não terminei a faculdade de arquitetura e finalizei outra de design de interiores, não me encontrei no meio destes  e percebi que havia feito uma faculdade por fazer. Na época trabalhava com produção de moda e me apaixonei pela profissão, busquei cursos e me especializei. No ano que finalizei a faculdade de design decidi largar tudo e me mudar para São Paulo, o que sempre foi meu sonho. Larguei meu emprego que gostava e vim com uma bagagem cheia de esperanças.


Tive apoio do quem amo aqui, um suporte para as barreiras que começaram a surgir em meu caminho. Não encontrei emprego em Moda e percebi o quanto estava perdida novamente. Com uma faculdade e sem experiência, não consegui oportunidade nem na minha formação. Então tive que recorrer ao que oitenta por cento dos jovens de São Paulo recorrem, o varejo.


Confesso que nunca gostei de trabalhar com vendas, porém não tinha mais opções e entrei neste barco. O que aconteceu comigo no ano que foi passando foi um pouco triste para comentar. Sei que não estava bem, sabia que aquilo não era o que eu buscava, mas o que me deixava mais infeliz era o fato de não saber o que queria, e isso me deixou ao marasmo interno. Fiquei quase um ano vivendo para pagar minhas contas, sem mais nenhuma esperança do que ser.


Em algum momento dessa escuridão total, eu encontrei uma luz, e foi bem no fundo do poço que eu encontrei ela. Não sei explicar como começou, porque no fundo eu sempre soube. Eu comecei a escrever, e neste momento que eu escrevia percebi que mesmo com varias mudanças da minha vida a única coisa que eu nunca tinha parado de fazer era escrever.


Desde criança, quando aprendi a escrever a matéria que mais gostava era redação, quando aprendi um pouco mais escrevi uma série de histórias de uma heroína para a aula de português. Participei de concursos de redação, criei blog, escrevia músicas. Percebi que a maturidade me afastou desse gosto, mas eu nunca perdi ele de mim. Todas as minhas angustias enquanto estava sozinha eu escrevia.


Então entendi que essa é minha paixão, esse é meu sonho e é isso que eu realmente sei fazer. Entendi que minha profissão não exige de mim trabalhos tradicionais, multinacionais. O que eu preciso para exercer ele só depende de mim.


Depois que entendi quem realmente sou percebi que para chegar à luz que está no alto do poço eu preciso aprender a escalar. E de escaladas eu digo, buscando recolocação profissional para sair do mundo do varejo, procurando cursos que tem haver com a área e iniciando uma nova faculdade que eu vá fazer com gosto.
E assim eu cheguei na Oficina nossas Letras do Sesc.


Espero que este texto tenha sido compreensível e obrigada pela atenção.

Fabiola Ribeiro

 

***

Olá, Laion! Tudo bom?

Sabe uma das imagens que achei das mais surpreendentes da sua apresentação, aquela em que aparece o mundo encolhendo, até parece que vai de tridimensional para bi, até se tornar plano e do tamanho de uma moedinha?

Achatado é como me sinto, em troca da grana como último valor. Dissipar-se no tempo sendo a única subversão possível e, então, o que mais faço nele agora, ou bem é me emaranhar aos corpos de outros rapazes, ou então perder tempo na urdidura do texto, inventando a diferença na escrita, um outro tempo vazio para não resvalar na vala-comum da pornografia e o seu vale-tudo, o por na frente o vil metal como única mediação da angústia, em troca de qualquer altar adulterado, testando o prazer como última saída. De tal forma que minha mais recente prática de vida é me envenenar antes que as forças do mundo o façam, arruinando de vez a minha patética existência. Nesta prática ambivalente que vai do poço sem fundo da vida aos cumes da existência em sua precária alegria, abraçado ou a outros rapazes ou a mim mesmo, participo destas aulas tentando constituir uma outra presença de mim no cotidiano enviesado do tempo avacalhado pelo fardo do acaso, o destino. No fundo, o que tento nas aulas é participar dos textos nossos, os lidos e os ditos, o da tradição e o da vida, o de ontem e o de agora, o de uma história e o do presente, a experiência luminosa capaz de iluminar só o suficiente o fundo da escrita em renovados pactos da leitura, feitos das incipientes colagens de afeto colhidos na convivência, com alguma sorte inventando o que ainda não foi lido. Então, para encerrar, fico com isso: Se já tá escrito, inventar o que não foi lido – e é aí que mais me interessa, no relógio quando o tempo vira.

Um abraço,

São Paulo, 19 de agosto, 2016, 20:10.

Flávio Aquistapace

 ***

 

Oficina Nossas Letras – Módulo III – Cartas / Orientador: Laion Castro – Sesc Belenzinho
De: Jovenize Prado
Para: Laion Castro
São Paulo, 16 de agosto de 2016.


Estimado Mestre, saudações!


É com muita alegria que separo alguns minutos, para registrar minha satisfação, curiosidade e
expectativa em relação ao nosso curso. Acredito que, baseando-me pela primeira aula, viverei
momentos agradáveis e também de enriquecimento intelectual.


Escolher participar de seu curso é resultado de uma decisão tomada no início do ano, quando
descobri o projeto, por assim dizer, Nossas Letras. Gostei da proposta e dos temas. Até agora, participei
de todos os módulos e fiquei muito satisfeita.


Gosto muito de ler, assistir filmes, seriados, peças de teatro e escrever. Porém, mais que tudo
isso, gosto de ter conteúdo para falar. A comunicação é algo muito forte em mim, desde criança. Por
isso, na verdade, o que me trouxe, ou melhor, me traz a oficinas como esta é a reciclagem,
aprimoramento, enfim, absorção de conteúdo para fortalecer meu vocabulário linguístico e temático,
se posso relacionar assim.


Por outro lado. Ao longo dos anos, descobri que falar não era mais suficiente, então comecei a
escrever. De fato, tornou-se uma paixão. A princípio, escrevia apenas para mim, ou seja, escrevia para
ler depois, refletir e analisar meu estado de espírito naquele momento, ou ainda, questionar se mudei
de posicionamento sobre o tema descrito ao longo do tempo. Eu tinha prazer em me enxergar. Mas na
última oficina (Memórias e Histórias), o Mestre Eduardo Akio mencionou uma frase diante da turma,
que quebrou esse meu paradigma pessoal: Vocês querem escrever para vocês ou para serem lidos? Isso
me confrontou psicologicamente. E isso foi muito bom, visto que já havia compartilhado com alguns
amigos, minhas peripécias literárias, porém, ainda era a Jô, brincando de escrever. Eu não me levava a
sério como alguém que poderia escrever algo, de fato relevante.


Embora tenha uma formação comumente relacionada a quem gosta de escrever, não enxergo
na minha formação, elementos fundamentais para isso. Reconheço que a faculdade e a pós-graduação
me deram algumas ferramentas, mas a verdade é que amo ler, falar e escrever desde muito antes dessa
fase. Tenho colegas que vivem da profissão, mas não tem o menor amor pelo conteúdo que escrevem.
Escrevem mecanicamente sobre aquilo que não acreditam, vivem ou sonham. Escrever para mim, assim
como falar, requer um exercício contínuo de crença, vivência ou sonho, e para isso é necessário sentir,
aprender, ensinar, ter experiências.


Já escrevi tantas coisas das quais não mostrei a ninguém, já escrevi outras que achei
maravilhosas e eram péssimas, mas já escrevi algumas que não dei importância e as pessoas gostaram.
Viver á assim.


Eu converso comigo mesma frequentemente. E enquanto te escrevo, minha mente insiste em
gritar – Jovenize, acorda! Pare de divagar! – Acontece ás vezes, Mestre Laion.
Falar sobre mim até que não é difícil, a problemática aqui é falar pouco. Meu nome, por si só já
é uma história, mas em síntese, – isso sou eu tentando não ser prolixa a ‘essa altura do campeonato’ –
meu nome foi escolhido por meu avô. Agora fica o comichão na minha mente – conto ou não a história?
Enquanto penso...


Apesar de não ter sotaque aparente, nasci em Recife, no Estado de Pernambuco. Fui trazida por
meus pais, quando tinha oito anos, para essa metrópole cruel e apaixonante chamada São Paulo. Aqui
me tornei jornalista, locutora publicitária e mestre de cerimônias. Quem me ouve falar, quando estou
atuando profissionalmente, não reconhece aquela menina sapeca com sotaque regional, mas basta
falar ao telefone com alguém da família, que lá ficou, e as origens resplandecem vigorosamente. Hoje,
aos 39 anos tenho o coração paulistano e alma nordestina. O sentimento é ambíguo mesmo.
Propositalmente. Não me vejo em outro lugar, se não, na histórica terra da garoa. Não, pera.... Na
verdade, me vejo em Nova York, mas isso é assunto para outro dia.


Tem coisas que marcam e não sabemos o porquê. Minha primeira carta foi escrita na birra. Eu
estava numa terra estranha, sentindo um frio odioso, – até hoje acho que o frio é odioso – na escola
Oficina Nossas Letras – Módulo III – Cartas / Orientador: Laion Castro – Sesc Belenzinho
questionavam meu tamanho, – sempre fui muito baixinha – questionavam meu sotaque e minha mãe
insistia pela “enésima” vez: escreva logo a carta para seu avô contando como é maravilhoso viver em
São Paulo. A verdade é que eu não tinha a mínima ideia de como escrever uma carta e acredite, Mestre
Laion, para mim a experiência de viver aqui, passava longe de ser maravilhosa. Ao longo desses anos,
volto aquele dia e a lembrança é nítida. Escrevi com preguiça e sem capricho na letra, que: ‘painho’
trabalhava muito, fazia muito frio aqui e eu estava com saudades de madrinha e de tudo como era
antes. Lembro-me perfeitamente que não dei um ponto final, talvez fosse continuar embora não
soubesse mais o que dizer. Enquanto isso minha mãe dizia: não esqueça de colocar a data de hoje e
assinar, sabe como seu avô observa essas coisas. E assim eu fiz: Itapetininga, vinte e poucos de outubro
de 1985. Assinado: Nizinha. É assim que sou conhecida entre meus familiares.


Meu avô respondeu minha carta posteriormente. Basicamente reclamando da letra e porque eu
escrevi tão pouco. Anos depois fui de férias visitar a família em Recife. Meu avô havia ficado cego por
causa do diabetes. Mesmo assim continuava ativo e de personalidade forte. Muito forte. Mexendo nas
suas coisas encontrei minha cartinha. Um pedaço rasgado de uma folha de caderno, marcas de
borracha comprovando que eu tive dificuldade para escrever a palavra Itapetininga, meu texto foi
escrito em lápis preto, caligrafia grossa e grande, com visível força na escrita. Acho que a mão pesou
devido as cobranças de minha mãe. Ver aquilo me transformou. Fui marcada naquele dia de alguma
forma.


Heráclito de Éfeso dizia - “Ninguém entra em um mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso
acontece já não se é o mesmo, assim como as águas que já serão outras. ” – Eu, no entanto, prefiro a
“versão” do meu professor de filosofia, Jalmir, que dizia – É, o nome dele era esse mesmo. Parece que
o ‘universo’ se diverte em reunir pessoas com nomes ‘diferentes’ – um homem jamais entra num rio
duas vezes, pois, nem é o mesmo homem e muito menos o mesmo rio. E se você está se perguntando
por quê, a resposta é simples! Estamos em contínua transformação e as águas do rio que correm para
o mar, são como o tempo, e o tempo não para. Quanto a mim Mestre Laion, de algum modo, espero sair diferente de como quando iniciei seu curso. Apenas isso!


Por fim.... Não poderia deixar de mencionar, que meu avô, na magnitude de sua arrogância, não
permitiu ao meu pai escolher o nome de sua primeira filha. E assim, ele fez sopa de letrinhas com o
nome dos meus pais. João, meu pai cedeu as letras JO e minha mãe, VENISE, se “doou” por inteira.


Desse modo, nordestinamente falando, visto que a sopa de letrinhas é típica da região, surge
JOVENIZE, com ‘Z’, pois minha mãe tinhosa, tinha que dar o pitaco dela, afinal, a filha era dela, poxa!


Sinto que ainda tinha muito a dizer, mas tem cliente me esperando para dar voz ao seu texto.
Outros pleiteiam por um orçamento favorável e eu aguardo que muitos orçamentos enviados sejam
aprovados. Minha caixa de e-mail transborda, meu whatsapp não para de “piscar”. Atualmente meus
dias são assim, uma loucura. Muita coisa mudou desde a minha primeira cartinha até esta última. Mas
se tudo der certo, ainda hoje, pretendo dar uma passadinha na academia, pois comida, no meu mundo,
combina com todas as minhas paixões. Aí você sabe, né! É preciso correr atrás do prejuízo.


Ao ler essa carta, desejo que estejas bem e continue assim.
Com carinho

Jovenize Prado

***

CARTA DE APRESENTAÇÃO

26 de agosto de 2016 20:01


Caro Laion, boa noite!


Espero que ao ler esta esteja bem.


Ainda não nos conhecemos, embora os comentários que me chegaram a seu respeito foram muito simpáticos, o
que aumentou em mim o desejo de comparecer às suas aulas o mais breve possível.
Peço- lhe desculpas por minhas duas faltas em seu curso no Sesc Belenzinho, justificarei minhas ausências a
seguir.


Na primeira aula, eu estava muito gripada e achei melhor ficar em casa para me cuidar. Na segunda aula, eu estava viajando para a Bahia em companhia de minhas três irmãs: Suely, Rose e Laine. A Laine, mora há 19 anos na Inglaterra e veio nos visitar. Nos presentou a mim e as outras irmãs com uma viagem para um lugar maravilhoso, chamado Boipeba, um lugar lindo ao Sul da Bahia. Foi uma viagem incrível!


Não me contenho em lhe narrar alguns dos momentos mais especiais, pelos quais eu não esperava passar tão
cedo. Em um de nossos passeios, foi possível encontrarmos com quatro lindas baleias. Agradeci muito por essa
oportunidade, me emocionei até.


Infelizmente as fotos que tirei não ficaram tão boas, mas mesmo assim consegui registrar alguns momentos.
Além das baleias, vimos também saltitantes golfinhos,senti por não conseguir fotografá-los bem, são de fato muito
simpáticos.Bem, o lugar é indescritível e foi muito agradável partilhar alguns dias ao lado de minhas irmãs em um ambiento muito especial.

Espero ter justificado minhas ausências.
Bem deixe-me falar um pouquinho de meus encontros aos sábados com essas pessoas lindas, com as quais tive o

prazer de conhecer logo no primeiro módulo do projeto Nossas Letras. Tenho a dizer que há uma troca muito maior
do que as contidas em palavras.


Desde o primeiro módulo, houveram momentos de muita emoção em que risos e lágrimas estiveram presentes.
O segundo módulo Memórias, foi extremamente envolvente e emocionante. Bom demais ouvir, conhecer e se
emocionar com as histórias trazidas pelos colegas. Um universo em cada um de nós. Eu adorei o texto que produzi,
falei sobre uma toalha de saco com barrado em macramê, que foi de meus antepassados e que eu guardo com
muito carinho. Ela é agora ainda mais especial, pois além dela, há também um relato meu que ficou tão poético.
Amei!!


E agora, estou aqui, pensando que amanhã estaremos juntos, aprendendo, ouvindo, participando, crescendo. AH!!
Coisa boa é viver!! Por isso sou grata, por mim, por você e pelas outras pessoas que estarão conosco nessa partilha.

Um abraço já querido professor,
Até amanhã
Neideci

***

Carta de apresentação, Nossas Letras – Módulo III: Cartas – Nuri Farias

Me chamo Nurielly Ornelas Farias, mas todos me conhecem por Nuri ou Nuri Farias. Nasci em São Paulo no dia 28 de setembro de 1992, prestes a completar 24 anos. E como um detalhe muito importante: esse dia fez de mim uma libriana apaixonada pela vida. 

Sou jornalista e trabalho como redatora web para o site da Galeria da Arquitetura, escrevo sobre os projetos arquitetônicos. O legal disso é que por eu passo sei que teve alguém responsável por essa obra, o nome do arquiteto, o que inspirou para isso e outros detalhes que despertaram em mim um sentimento muito bom pelo o que eu faço.


O motivo de cursar o Nossas Letras – Módulo III: Cartas no SESC Belenzinho é por já estar envolvida com os anteriores. Gosto de ler, escrever e descobrir coisas novas. Acho que sempre nos surpreendemos com o que podemos encontrar pelo caminho. Essa é uma das expectativas que levo na vida, e trago para esse, e outros cursos, sempre mergulhar com o melhor possível em tudo o que despertar a minha curiosidade.

 Nuri Farias

***

15 de agosto de 2016 17:48

Caro Laion Castro


Meu nome é Sônia. Moro no interior de São Paulo, em Marília, estou passando uns dias aqui em São Paulo, no
Belém mesmo, na casa da minha filha. Vou ficar mais alguns dias, irei embora somente no mês que vem.


O motivo que me levou fazer este curso, foi o incentivo à leitura.


Gosto muito de ler. Atualmente estou lendo sobre a vida de Monteiro Lobato.
Que autor maravilhoso! Um incentivador da cultura brasileira e que nos leva a refletir sobre os conflitos de sua
época.


Um abraço
Sonia

***

São Paulo, 17 de agosto de 2.016

 

Caro professor Laion ,

 

Primeiro, gostaria de parabenizá-lo pela primeira aula,  do módulo “Cartas” da oficina “Nossas Letras”. Confesso que fiquei bastante empolgada com todo o material selecionado, com os diversos livros e, especialmente com a letra da música  “Parabolicamará”,  de Gilberto Gil, que possibilitou uma discussão bastante interessante com a turma.

A seu pedido, escrevo essa carta, para complementar a breve apresentação pessoal, feita em sala.  Meu nome é Sueli de Oliveira Rocha Portilho, sou graduada em comunicação visual, porém, na contramão de minha formação, sempre trabalhei na área de Recursos Humanos.

Tenho um grande interesse pela palavra escrita, pela habilidade de escrever, pela capacidade de traduzir em palavras sentimentos, ideias e posicionamentos, enfim, o universo das letras para mim é fascinante.  Tive a feliz oportunidade de participar do segundo módulo, “Memorias e Histórias” com o professor  Eduardo Akio, mas admito que a  temática “Cartas” me cativa de modo especial.

Meu afeto pelas cartas nasceu, talvez porque cresci, vendo minha mãe escrever cartas para suas primas que ficaram em Portugal. Era uma troca frequente de cartas escritas em papel muito fino, com linhas demarcadas para a data e texto e com letra sempre legível, arredondada, quase um arabesco. Ainda hoje, aos oitenta anos de idade, trocam cartas, não mais com a frequência de outrora, mas conservam uma intimidade que não se perdeu com o tempo.

As cartas despertam sempre um sentimento de  curiosidade, desde o envelope, tão bem lacrado, com um fio de cola, o selo, colecionáveis , coloridos e comemorativos,  há uma cumplicidade em todos esses detalhes e ficamos sempre apreensivos quando encontramos  uma carta em nossa caixinha de correio.

Assim, espero ansiosa pela nossa próxima aula, que com certeza contribuirá para desafios maiores na produção de textos, cartas, e-mails. Além disso, tem sido gratificante a convivência com todos os participantes, essa troca de informações e conhecimentos também é muito prazerosa.

 

Um abraço

 

Sueli Rocha

***

19 de agosto de 2016 08:21

Como vai meu caro amigo Laion? O coração desse velho amigo aperta quando recorda aquelas nossas conversas
no Espetinho do Léo, velhos tempos, hoje em dia só a memória é viva! Aquele bar anda muito movimentado,
requisitado até o pescoço, parece até magia esse diabo todo de gente brotando todo santo dia, em finais de
semanas então nem se fala. E agora até de semana, esses dias têm sido a última gota

.
Muita circulação ali, é um vai e vem danado de gente, é mão levantada, é grito aqui e acolá, é risada alta, é copo
de cerveja quebrando, é risadas e gargalhadas, é tudo e mais um pouco, resumindo: ensurdecedor aos meus
ouvidos. De fato anda "muito" aquele estabelecimento, sorte do Léo, azar meu, ou melhor: nosso, porque lá não
volto mais, já avisei o Léo (ele deu risada) e assim não teremos mais aquelas nossas conversas que sempre
giravam em torno de três assuntos: comunismo, curintians e literatura.


Eu e Léo deixamos por isso mesmo; eu falando sério e o Léo levando na brincadeira, eu olhando nos olhos e Léo
olhando os clientes enquanto me ouvia falar. Ficamos nesse jogo de interesses contrários até eu me cansar e dálo
as costas.


Essa andança toda gera muito barulho, e você sabe meu velho e caro amigo que não aceito, eu não aguento barulho
no pé do ouvido, é cara... continuo sendo um jovem ranzinza, ainda penso que sou um jovem com alma de velho
(engraçado isso).


Ontem resolvi arriscar tomar uma gelada e continuar a leitura do livro que me indicou (As Ligações ou Relações?
Sei que independente de qual seja são ambas Perigosas, e sei que é do escritor francês Chordelo assim
que se escreve?) nunca acertei escrever nomes de autores estrangeiros (você sabe muito bem). Chegando lá no bar notei que quase todas as mesas estavam reservadas, com um pequeno pedaço de papel escrito: A/C de sicrano, meus olhos furtivos buscavam outra mesa mais aconchegante, mais discreta dos olhares alheios, tu sabes que gosto de observar e não de ser observado, sim procurava outra mesa e por incrível que pareça (já vou me desculpando pelos palavreados que se sucederão) mas Laion você sabe, você me conhece bem, pois continuo com a mesma
sensação de que sãos as "coisas", as "pessoas" que me escolhem e que precedem (por força maior) o remate de
minhas decisões, e foi por isso que quando estava a sondar outras mesas até que percebi uma mesa quase a
apontar o dedo em minha direção e a me chamar, a me escolher, porém logo em seguida avistei rapidamente o que
continha sobre a mesa, era a mesma (porra) de um bilhetinho grifado: "A/C de fulano", porra meu, o bar do Léo já
não é mais o mesmo, tenho saudades daquele tempo, de quando Léo vinha beber com a gente zangado se lembra
Laion? Pois Laion sabia os nomes de cada pinguço e de cada família que tirava o sábado para um almoço familiar
(a clientela dava para contar nos dedos da memória). Sim, a clientela era sempre a mesma, fiel e disciplinada e
seguiam fielmente firmes, sendo os mesmos clientes e esperando que Léo fizesse o mesmo.


Mas mudemos de assunto, conversa de bar deixemos pro bar e pro Léo aquele traíra. Pra mim essa história encerra
por aqui, não falemos mais de Léo.


Você não sabe da boa, iniciei um curso massa cara, de Cartas, gratuito, você sabe, já foi aluno, estudante hoje em
dia não tem nem dinheiro pra pagar a faculdade. O curso abordará os elementos da epistola e equiparar as novas
forma de comunicação (como os meios eletrônicos, ex. o email) que carregam alguns elementos que são
intrínsecos a carta. Esse módulo é a continuação de outros encontros que a instituição está promovendo, participei
do anterior (sobre memórias) foi muito interessante e a troca (literária e de vivências) foi intensa. Agora espero me
aprofundar nesse tipo de escrita, sempre tive certa predileção à cartas, o que me mata é a preguiça, mas estou
procurando reverter essa situação. Dito isso e como primeiro passo, podemos concluir que já é um fato constatado:
minha inscrição, e que esse mês promete (será?).


Estou numa prospecção positivista sobre o curso, pretendo apreender quanto for possível, extrair o máximo que
puder, e fazer das aulas pequenos degraus numa construção sem fim (será possível isso? Ou será mais um dos
meus muitos devaneios meu caro Laion?). Quero realmente tentar e tentar buscar alguns apontamentos sobre minha
escrita, ainda tenho aquele velho desejo de escrever e principalmente de ser lido (ele persiste).


Meu caro o assunto se estende a cada palavra digitada... Mas vou deixar um bocado para próxima carta. Quero
notícias tuas, como anda às aulas do novo curso que está dando? Ainda anda lecionando naquela escola? Que livro
andas a ler? Fiquei sabendo que perdeu teu Kindow (a grafia está correta?) no avião, cara fiquei aos nervos, sendo
sincero, quando soube dessa noticia me dirigi a você utilizando um recurso linguístico bem rico: verbosidades
ardilosas ou se preferir uma sequência de ordem de chegada dos mais mais variados palavrões, de todos os
gêneros (risos).


Ah já ia me esquecendo, tenho uma colega que tem um filho que está com dificuldades em aprender a ler, essa
minha colega desconfia que o filho tenha dislexia, ela me confidenciou que o garoto é muito bom com contas
matemáticas e fica somando e dividindo tudo que vê pela frente (curioso não?). Acredita que o moleque quando
folheia os livros infantis dele, ao olhar para as palavras sua imaginação é ativada e logo em seguida ele começa a
contar estórias apenas pelo contato visual com essas palavras e com essas imagens que ele vê nos livros? O que
você acha meu caro? Você consegue nos ajudar nessa empreitada?

Seja no que for: profissionais multidisciplinar que façam uma avaliação com essas crianças, seja instituições ou ONGs que auxiliem os pais com crianças que tenham essas dificuldades de preferência gratuito (risos) pelas nossas pesquisas uma aviação dessas custa uma grana preta.


Até, meu caro amigo, contai com minha sincera amizade.


SP, neste 18 de agosto de 2016.
Atenciosamente,


Vinicius Lelli

***

Exibições: 70

Tags: Castro, Karen, Kipnis, Laion, Letras, Nossas, SESC, belenzinho, cartas, escrita, Mais...leitura, oficina

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