Projeto Escrevivendo

NOSSAS LETRAS - VI Encontro do módulo CRÔNICAS SOBRE SÃO PAULO

Nossas letras- SESC Belenzinho

Crônicas sobre a cidade de São Paulo

Por Erica Franco e Renata Guerra

Coord. Karen Kahn

 

 

Começamos o sexto encontro mencionando e discutindo as quatro crônicas que pedimos para serem lidas em casa entre os encontros anteriores. O objetivo foi discutir sobre as interpenetrações de tipos textuais e gêneros literários ( que nunca são puros) e como isso ocorre nas quatro crônicas. A de Drummond, “Carta a uma senhora”, mescla-se ao gênero epistolar, além de usar a linguagem da propaganda; e do Duvivier, “Crônica de Raíz”, constroe-se pelo tipo textual argumentativo. “Brincadeira”, de Luis Fernando Veríssimo, é um drama, no qual os acontecimentos se organizam por meio de um diálogo e, enfim, a do Fernando Sabino, “A mulher do vizinho”,  estrutura-se como uma anedota.

Na parte teórica do encontro, apresentamos os três elementos básicos dos gêneros a partir de Bakthin:

i. estrutura/ organização/ forma

ii. tema

iii. estilo do autor

Em seguida, analisamos o filme que assistimos no V encontro,  “São Paulo S.A”, que nos remete ao neorrealismo italiano e o cinema novo brasileiro. A partir do eixo temático articulado entre atividade industrial, ações ilegais e angústia pessoal, Person é um dos primeiros cineastas a criticar o  senso comum no qual a cidade de  São Paulo seria a  “locomotiva do Brasil”. Ele contrasta tal metáfora com a de homem-máquina, homem-série: engrenagem.

Os participantes deram muitas contribuições na análise do filme. Houve quem dissesse que, excetuando o lado misantropo do personagem Carlos, suas crises de consciência e sentimento de vazio causaram sentimento de empatia e identificação.

Também conversamos sobre o filme “Entre Rios”. Esse documentário apresenta o histórico das políticas de urbanização na cidade de São Paulo. Com as aspirações de ser a ‘Chicago’ da América Latina, uma cidade de grandes avenidas e arranha-céus, o asfalto soterra as várzeas, os leitos e os rios, para dar passagem aos prédios e carros. E, como consequência, temos uma cidade com sérios problemas de deslocamento, precarização habitacional e enchentes.

No entanto, apesar de falarmos muito do ônus de se viver em São Paulo, também lembramos que aqui é possível se proteger no anonimato. É um pouco como disse Dráuzio Varella, na crônica que lemos nesse dia: “É a paisagem humana, o caldeirão de negros, brancos, mulatos e orientais, senhoras de roupas recatadas, meninos com o boné virado para trás, homens de gravata, casais que se beijam na boca no meio dos transeuntes, mulheres sedutoras, homossexuais de mãos dadas, camelôs, bêbados, travestis, putas, entregadores de pizza e a legião de motoqueiros que zumbe entre nossos carros atolados no asfalto.”.

Depois disso fomos para o intervalo!

Na volta, fizemos a leitura compartilhada das crônicas “Perdizes”, do Antônio Prata; “São Paulo”, de Dráuzio Varella e  “Os pensadores... do subúrbio”, do Sacolinha.

A 1ª tem a ver com a relação do eu-cronista e a cidade, e ela com o tempo: as transformações na paisagem, sua verticalização. Na segunda o cronista enfatiza o quanto o espaço da cidade o constitui. Já a do Sacolinha tem a ver com um fluxo de consciência disparado pela corriqueira notícia de que garotos da periferia foram assassinados pela polícia.

Os 2 primeiros textos dialogam diretamente com a cidade no tempo, cidade na história e como o cronista sente e se vê nesse tempo-espaço.

No fim do encontro, explicamos a proposta para a 2ª produção: “cidade no tempo”.

Segue a instrução enviada por e-mail:

“Queremos uma crônica que dialogue com o passado, mas que tenha como disparo algo do presente, como vimos no texto do Antonio Prata e Drauzio Varella (o dele foi o aniversário da cidade - acho que não comentamos isso em sala - vacilo nosso).

E vocês podem usufruir dos outros gêneros narrativos para compô-la como o conto, a anedota, a parábola, o drama, o poema, a memória, entre outros. A crônica do Sacolinha foi um exemplo de que algo do cotidiano pode levar a pensamentos, sensações in continuum, como se fossem um fluxo de consciência. Então, como foi explicado ontem, o tema é delimitado: SP no tempo, mas a estrutura/forma do texto e o estilo do autor são livres. Ah, outra coisa: crônica é um texto breve, portanto, uma página e meia, no máximo.

Lembrando mais uma vez, vocês podem entregar o texto até sexta, 18/11, pela manhã. Sintam-se livres para trocar e ler entre os amigos, como fizemos em sala. O texto que entregarem para nós será considerado como versão 1.

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