Projeto Escrevivendo

SEGUNDO ENCONTRO DO ESCREVIVENDO FALAS DE AMOR

Este sábado foi inteirinho dedicado à leitura das produções dos escreviventes. A proposta era que cada um escrevesse uma narrativa a partir de uma “figura”, retirada do livro de Roland Barthes, Fragmentos de um discurso amoroso.

Talvez seja o tempo, aqui, de ressaltar a importância da dinâmica que estabelecemos no grupo. A partir da centelha inicial e da escritura do texto, cada participante tem a hora e a vez da leitura e da escuta. Comentamos minuciosamente cada texto, ressaltando seus pontos positivos, seus problemas, as nossas impressões sobre cada imagem e cada palavra escolhida pelo autor.

Dizem que escrever é ato solitário, e eu desconfio, ainda, que só escrevemos por desejo de encontro. O que temos no grupo é a garantia de leitores, fato raro e caro neste mundo. E são sempre exigentes as leituras que se posicionam diante de nós, oferecendo suas críticas e ofertando o seu olhar. Conseguimos mensurar, através dessa atividade, a recepção dos nossos textos, o impacto que ele causa, o que funciona e o que não.

Sei que a ansiedade é sempre bastante grande. Todos querem ler a sua produção e ouvir os tão generosos comentários do grupo. Nem sempre conseguimos esgotar, em um encontro, todas as leituras. Mas o que aprendemos no grupo é que enquanto estamos ouvindo sobre o texto de um colega, refletimos sobre a nossa própria escrita, nossos processos, nossas escolhas.

Em um segundo momento, já na solidão de suas casas, os escreviventes irão pensar sobre todos os comentários e reescrever os seus textos, que serão todos postados aqui, na próxima semana.

E, claro, todo texto tem problemas. Até o melhor escritor ganha com o olhar do Outro, que é sempre tão altero, tão diferente do “eu”. As gramáticas estão ai para serem consultadas, mas o texto tem uma vida que não está na norma. Sugeri, por exemplo, para quem tem problemas com pontuação, que lessem o texto em voz alta, gravassem se for preciso. Basta entender o ritmo, o fluxo, o tempo do texto. Com a sua própria voz, descobrindo as intenções, as sutis alterações de percepção causadas vezenquando por uma vírgula. É um trabalho que consiste em nos apropriarmos da linguagem que já fazemos uso, que já criamos nos nossos dias. Sem medo.

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